Ainda não sei

Num dia normal, desses que a gente não tem nada pra se fazer, eu estava deitada na minha cama, lendo um livro. Como as reais preocupações chegam de repente, minha mãe abriu a porta e disse pra eu me arrumar, porque tínhamos uma festa pra ir. Acho que me senti bem com a simples ideia de fazer alguma coisa, então fui tomar banho. Quando chegamos lá, vi várias mesas, mas pareciam que as pessoas estavam separadas por idade. Não haviam velhos sentados com jovens. Procurei por um rosto conhecido, mas nada. Então sentei com meus pais e meu irmão.
Os minutos passavam e eu começava a me sentir entediada... Nem mesmo sabia o que estava sendo comemorado. O que é uma festa sem algum significado? Então uma mulher muito interessante – lê-se exótica -, sentou-se a mesa conosco, cumprimentou meus pais, logo em seguida eu e meu irmão, e sorriu. No lugar onde deveria estar um de seus dentes caninos, havia uma fenda. Estranhei. A mulher estava no auge de seus sessenta anos, e decidiu conversar comigo. Perguntou o meu nome, eu lhe respondi. Descobri que o dela era Joana. É um nome bem popular, se for pensar bem. Ela interrompeu meus devaneios. – E então, qual faculdade você cursa? – abri minha boca para responder, mas então a fechei. Eu nem mesmo sabia o que dizer... O que eu queria fazer da minha vida?
Muitas coisas passam pela sua cabeça quando te fazem uma pergunta do tipo. Acho que sou suspeita pra falar, porque tenho imaginação fértil, mas mesmo assim. Quando eu era pequena, pensava em ser atriz, bailarina... Meu irmão queria ser astronauta. O tempo foi passando, e carreiras mais comuns surgiram, a Medicina se destacava... Infelizmente, não tenho mais nenhuma certeza sobre o que eu quero. Meu irmão me chutou por debaixo da mesa, e sussurrou que ela estava esperando minha resposta. Voltei minha atenção à mulher, e sorri como se pedisse desculpas.
– Bem, eu não faço, e sinceramente ainda não sei qual cursar... – as sobrancelhas delas se arquearam. – Não acha que está meio em cima da hora, menina? – franzi o cenho com a intimidade imposta.
Pense assim, não sei o que quero fazer amanhã, veja lá se tenho alguma ideia do que fazer daqui a mais de um mês? Sorri constrangida outra vez, e meu irmão desatou a falar sobre como queria ser arquiteto e como a profissão o fascinava. Fiquei alheia a noite toda, pensando no que fazer da minha vida. Quando vi, a senhora havia se levantado, e me deu um tchau de longe. Ainda pude a ouvir dizendo ‘
Tic tac, tic tac ’ para mim. Meu irmão deu um suspiro e arfou: - Um dia vou ser igual a ela. Eu franzi o cenho e ri. – Não é incrível? Ela virou designer com só 13 anos! – Ah! Então é por isso. Afinal, qual o problema de ter 28 anos e ser um pouquinho indecisa?

;D Enfim, esse eu fiz pro colégio. q Achei que devia postar aqui. Xoxo.

P.s.: Não, não tenho 28 anos.

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