pensando bem..

Seus olhos focalizam o relógio antigo. Ele parece incrivelmente lento. Você nem mesmo percebeu, mas já está lá faz quase duas horas. Uma luz fraca cintila unicamente sobre seu corpo, o resto da sala de estar jaz num breu profundo, mas você não se importa. O cuco te avisa que são quatro horas da manhã. Você se pergunta sobre quanto tempo ficará ali. Um suspiro ressona alto, você começa a bater o pé no assoalho involuntariamente. Então a porta faz um barulho conhecido. Alguém está tentando destrancá-la. A pessoa erra uma, duas vezes. As suas mãos tateiam o interruptor. Logo o cômodo não tem nenhuma luz. A porta finalmente se escancara, e um vulto entra na sua casa. O barulho do salto agulha é o único som ouvido, ele denuncia que é uma mulher. O perfume cítrico se impregna no ambiente. O som do sapato para, ela provavelmente se apoiou em algum lugar para descalçar a sandália. Passados alguns segundos, você vê a mulher chegando até o corrimão da escada. Você se levanta sem fazer ruídos e acende a luz. - Gabriel? - ela pergunta, girando o corpo e te encarando. - Aonde você 'tava? - você indaga, a voz transparecendo mais calma do que como você realmente se sente. A voz dela vacila. Você pressiona. - Paula? - ela inspira profundamente, depois expira. - Olha, tô cansada demais pra falar sobre isso, vou dormir, amanhã a gente conversa. Você solta uma risada nervosa e sarcástica. - Ok, você pode dormir aí. - ela arqueia as sobrancelhas. - Aqui onde? - Ela parece desconfiada e até mesmo descrente. - No sofá, oras. - você responde dando de ombros, e outro sorriso nervoso brinca em seus lábios. Você sente uma gota se suor escorrendo pela sua nuca. - Vou dormir na minha cama, você pode dormir no sofá. Assim que a última palavra é dita, você corre de ímpeto até onde ela se encontra, e ao perceber, ela começa a correr também. Vocês dois disparam escada a cima, corpo a corpo, se empurrando. Você é mais ágil, porém ela é mais leve e praticamente desliza. Os dois chegam, se fuzilam com os olhos, e enfim gritam ao mesmo tempo. - Esse quarto é meu! Vocês se encaram, surpresos. - Olha aqui, Gabriel, fui visitar a Alice, ela terminou com o namorado, e você já estava dormindo, não quis te incomodar... Dessa vez a risada sai fácil. - Você vai receber Alice em breve, então. - Como assim? - Você também terminou com seu namorado. Ela te encara com incredulidade. - E quanto ao casamento? -, ela pondera. Você sorri outra vez. Segura-a suavemente pelos braços e a direciona pra fora do quarto. Você anda de costas em alta velocidade, bate a porta na cara dela e grita: - Boa noite, meu bem! Tomara que o sofá seja confortável! Quando eu acordar, espero que suas malas estejam prontas! Ela grita sem parar e esmurra a porta repetidas vezes. Você a ignora. Se joga na cama, apanha o celular e faz uma ligação. - Hey, Dani? Pensei melhor, tá livre amanhã a noite?

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Entretidos.