Não sei não. Por que é você que tem que decidir? As coisas por aqui deviam ser mais bilaterais. É claro que você não pode me obrigar, mas no mínimo podia tentar me convencer. Arqueia os ombros, não se importa, faz como se tudo estivesse certo - e talvez esteja pra você, até demais -, nem para de andar. Mas eu paro, paro sim. Suspiro e te olho outra vez. Impassível. Eu invejo sua tranquilidade. Balança a cabeça, espera que eu me resolva, mas é difícil, leva tempo. Pergunta alguma banalidade com a intenção de aliviar, não gosto disso. Paro de ouvir. Não é desse jeito, não quero. Você não se aborrece, fica ligeiramente agitado. Estamos perdendo tempo no meio da rua, embora não me pareça perda de tempo. Oferece a mão, recuso. Insiste, recuso. Vou sozinha. Tropego dois passos, aceito sua mão. Você não venceu. Confabulo teorias em silêncio. Lembro do seu último conselho, sinto receio, quase medo. Você não absorve a gravidade da situação. Ainda firmando meu corpo. Desisto e me solto. Continua impassível. Chegamos. Olho pra você e você sorri. Quase sinto sua tranquilidade. Entramos, você me distrai com outra linha de pensamento deveras interessante. Me descubro encantada pelo seu modo de ver alguma coisa e de reproduzi-la. E é aí que eu aceito. Acabo esquecendo o que tinha me irritado. Você ganhou.

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Entretidos.