Self

Quando nascemos, está praticamente comprovado que não existe o "eu". Somos produto das pessoas que nos criaram, normalmente dos nossos pais. Pequena, vivia minha vida para agradar as pessoas ao meu redor. O melhor jeito possível de deixar as pessoas felizes. Quanto mais eu crescia, mais absorvia o que me admirava, e o que me admirava sempre estava muito longe de "viver pelos outros". Eu achava bonito quem vivia por si mesmo, e os outros acabam gostando de quem vive de tal modo. Frases brilhantes, respostas imediatas e corrosivas, poder de convencimento sem limites, influência sobre qualquer pessoa, era isso que eu aspirava. Nasci pra ser assim. E em vez de procurar o bem coletivo, eu passei a buscar pelo meu próprio bem.
A primeira vez que me deparei com um "Você não está fazendo isso pro seu bem, e sim para o meu mal", foi em 2008. Conheci uma menina que discordava com tudo que eu achava certo. Sentimentos acima da razão, o bem estar do próximo como bem primário, cuidado ao escolher as palavras; concluindo, eu estava fazendo tudo errado. E com mais e mais força, eu acreditava que a única pessoa certa era eu, e que minhas ações eram condizentes com minha ideologia. Depois desse choque de interesses, amenizei minha guarda e abri um espaço para tais ideias inovadoras. Atualmente, tirei essa pessoa da minha vida, e confesso sentir um grande desprezo por ela, não só pelo que ela pensava, mas como agia em detrimento de tais pensamentos.
Descobri muita gente que pensa/va do mesmo modo que eu, mas como negativo repele negativo, por mais que eu os procurasse, compartilhasse das mesmas ideias; por um motivo ou outro, no final só sobrava restos e poeira. Mas não consegui deixar de ser atraída por isso.
O problema é que ultimamente isso parece estar incomodando os ânimos de muito mais gente, e eu começo a me questionar quais são os limites, até onde vale a pena arriscar. Sempre preferi pensar que isso não era de meu interesse e que cada um deveria aprender a lidar com meu jeito, se quisesse, como julgasse mais apropriado. Se os gênios se confrontassem por demasia, meia volta e nada disso deveria se repetir. Não é de hoje que prezo a boa convivência, e tenho imaculada necessidade de retirar de imediato tudo que atrasa, pende ou atrapalha a minha vida, doa a quem doer. Até onde?
Atualmente, me encontrei em três pessoas. De modos completamente diversos, elas somam tudo que eu prezo em um indivíduo e que, por sorte ou arrogância, são coisas que enxergo ou busco em mim mesma. Não que eu possua todas as belíssimas qualidades as quais eles são atribuídos, mas vejo em mim a possibilidade de explorar e aderir cada uma delas, integrar, conhecer, fazer parte. Eu me nutro disso.
Só que ultimamente grande parte da minha estrutura apontou que eu estou mudando. Que talvez eu não acredite nas mesmas coisas, não ajo do mesmo modo que antes, que eu gostava mais das pessoas, que eu as tratava melhor, que buscava mais o bem delas. E eu percebi a minha descrença, a minha falta de fé, a busca frenética pela preciosa racionalidade (a qual a cada dia me afasto mais) e a mudança de valores para algo que a coletividade ainda não está preparada. Eu, que costumava rejeitar a insensibilidade dos outros no passado, fui criando uma barreira emocional para não confrontar com absolutamente nada que eu não consiga lidar, esse vazio de ideias, a insuficiência do outro, a busca de algo que não existe. Acabei passando dos limites e deixando as poucas e raras pessoas as quais eu me importo e infelizmente sofro junto, com dúvidas sobre mim, sobre meu caráter, sobre a concordância com o que eu sinto, penso e falo; se é que ainda sinto alguma coisa.
Para acalmar meus ânimos, percebo que ainda me importo. Que eu ainda falho. Que eu ainda choro - cada vez menos -, e que eu ainda gosto. Só não consigo mostrar, não sei se vou conseguir fazê-lo. E a cada vez que paro pra pensar no que eu poderia fazer de diferente, o que me falta é uma conclusão.
Espero que haja tempo para consertar o que há de errado, aprimorar o que já está certo, e convencer a mim mesma que nem tudo está perdido.

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