Catarse

Depois de séculos de lenga-lenga para descobrir qual a finalidade do homem e sua "missão de vida", ou como queira chamar, a que eu mais concordo é a busca pela felicidade. Tudo na vida rege esse simples fato, o resto é consequência. Porém, sendo inconcreta como só ela, ficamos navegando por aí sem saber direito o que fazer. Cada um tem uma forma de procurar. Alguns pensam que ela está disponível nos relacionamentos mundanos, outros na arte, outros no poder, nos livros, na fé. Não importa. Cada qual tem o seu próprio meio.
Sendo assim, senti vontade de descrever um dia perfeito! Um dia que exalasse felicidade.
Pra começar bem, eu teria que ter dormido bem. E em vez de acordar cinco da tarde, o ideal seria naturalmente despertar lá pras dez da manhã. O ponto perfeito entre não perder a manhã e não perder a noite de sono. Levantar sem sol batendo no rosto, sem barulhos, só quietude. Sair do quarto e ver meu irmão dormindo de cara boa, entretido nos próprios sonhos; mas minha mãe e meu pai acordados. Minha mãe vendo TV na cama e me alertando que meu pai foi na padaria, e por algum milagre, comprou meu biscoito favorito. Meu pai mexendo no twitter dele com disposição, enquanto o seriado histórico está pausado bem em frente ao sofá. Volto pro meu quarto depois de comer, deito na cama com preguiça, e fico pensando em como terminarei de manejar o dia. Pego o meu celular, tem duas mensagens, uma sobre o que vou fazer hoje, outra sobre ontem, uma risada, uma frase solta e engraçada, alguma coisa que me deixe com um tipo de excitamento diferente, aquele de ter vivido algo legal. Respondo a mensagem, ligo o computador, mexo um pouco, espero até o almoço. Almoço, tomo banho, vou encontrar com os meninos, ficamos com preguiça de todas as coisas do mundo, assistimos um filme, rimos da cara uns dos outros, sentamos em algum lugar e conversamos por longas horas, que parecem passar de um modo inconveniente. Chega a um momento de fim de tarde onde cada um precise ir pro seu lado, e me dá uma agonia, uma vontade de continuar lá e não deixar ninguém ir embora pra onde quer que fosse.
Chegar em casa, conversar um pouco com a minha mãe, ouvir meu pai fazendo alguma piadinha que ele mesmo inventou, encher o saco do meu irmão, ser jogada na cama e tentar fugir, simular uma briga - que provavelmente vai deixar algum hematoma no meu braço - e ir pro banho. Arrumar e terminar ao mesmo tempo que as meninas - o que até hoje não aconteceu, se não me engano -, não ter que inventar nenhuma história, encontrar com elas e sair. Ter uma noite foda, não usar o telefone para fins indevidos, fazer boas escolhas. Voltar pra casa, a porta dos meus pais fechada, a luz do quarto do meu irmão apagada, sem sustos. Ligar o computador e desistir de usar ele antes mesmo de dar tempo, guardar as coisas direitinho, tirar a lente e pular na cama. Olhar o celular, e ver que recebi uma mensagem de tardinha, algum comentário genial e sórdido que só meus amigos podem produzir. E ir dormir, feliz. Leve.

É o meu sábado, meu dia ideal.

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Entretidos.