Vocação

Desde as minhas primeiras semanas estudando Direito, ficou claro que muitos juristas não têm vergonha nenhuma de falar que cursaram pelo dinheiro, que não querem mudar o mundo, só garantir o salário no final do mês. Quando eu estava decidindo qual carreira eu ia seguir, fiquei em dúvida (por pouquíssimo tempo) entre Jornalismo e Direito. Se eu fosse cursar Jornalismo era pra tentar seguir algo mais abstrato, poder viver de uma coisa que eu realmente aprecio e levo como hobby. Depois de procurar saber, eu percebi que o mercado de trabalho pra esse curso é complicado demais, e agora já nem é mais preciso diploma pra exercer.
Enquanto desistia de Jornalismo, escolhi o Direito. Quase ninguém quer saber porquê, já que quem não sabe o que quer da vida muitas vezes faz esse curso. Eu não escolhi por acaso. Não tirei no tarô o que eu ia seguir pelo resto da vida, e eu me sinto um pouco ofendida de ver que professores desistem de aptidão e de vontade de exercer alguma profissão em específico só pelo campo mais amplo de trabalho que eu conheço.
Agora, no começo do segundo período, as razões me saltam aos olhos. Para querer ser jurista, você precisa estar insatisfeito. Muito insatisfeito. Com as pessoas, com as leis, com as vontades, com a passividade, com a coerção do Estado, com a indiferença, consigo mesmo. Longe de mim querer mudar o mundo, não quero, e não deixo de querer. Sei que não está sob a minha alçada, meu objetivo nunca foi esse. Mas tem uma coisa que eu quero fazer, e eu sei que a oportunidade está paradinha na minha mão: eu quero corrigir o que há de errado. Eu quero ver os erros, realçá-los, passar marca-texto, gritá-los, apontar o dedo na cara dos outros e consertar tudo. Eu quero que todos vejam o que precisa ser mudado. Eu quero sentir que eu fiz a diferença na minha própria vida, preciso ver que ainda tem gente procurando fazer o que está certo. Eu me alimento do que é certo e do que é errado, eu vivo pra isso.
Então se um dia você finalmente vier me perguntar porque diabos eu escolhi Direito, e não Letras, Arquitetura, Psicologia, Publicidade ou Engenharia Mecatrônica, saiba que é porque eu tenho a vocação. Eu tenho o poder de transformar as coisas, e o farei.


Mas lembre-se: muitas vezes os fins justificam os meios.
And tonight, we dine in hell.

2 comentários:

  1. Sempre feliz de ver que alguém faz direito pela consciência e não pela conta bancária :-)

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  2. Precisamos de advogados, juízes, promotores, escrivãos e etc com objetivos diferentes! Hahaha

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Entretidos.