Impassivelmente circular

De vez em quando a gente flutua bem no centro da incerteza. Nada faz total e completo sentido, faltam as soluções imediatas para as perguntas, o passado soa utópico, o futuro pretensioso e pessimista. Quando não se tem nem mais ideia do que deve acontecer, você sente as extremidades do seu corpo formigarem, as entranhas se contorcerem e aquela velha sensação de ansiedade que consome de dentro para fora volta a te dominar. Engolir em seco e debater consigo mesmo o que está acontecendo com você não adianta. É daí que muitas vezes surge a paranoia individual. Você sabe que algo está errado, mas não sabe como resolver e volta para aquela crise de insuficiência crônica e insatisfação que é tão bem conhecida. Todos querem dominar e saber de tudo; porém, no íntimo lateja a insegurança e o sentimento de impotência dentro de sua própria vida. Muitas vezes é preciso ser como um telespectador onisciente: perceber as situações, ler os ambientes, compreender os diálogos, e tentar tirar uma conclusão plausível baseando não só em si mesmo mas no todo, que diversas vezes entrega até mais do que o próprio consciente.
Quando nos sentimos perdidos, busca-se apoio na certeza. E é preciso que ela exista, não importa no que ou em quem. Se ela nos falta, o resto desanda. Sempre temos que acreditar em alguma coisa. É assim que continuamos sãos. É assim que terminamos nossos desafios. É assim que encontramos a nós mesmos.

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